Jornal DCI

Startup cresce com ataque à burocracia

Com solução para ONG, Nuveo conquista grandes empresas para otimizar processos cotidianos

Flavio Pereira, CEO da Nuveo: planos de expansão no exterior

No admirável mundo novo dos empreendedores da economia digital também tem espaço para startups que surgem de iniciativas para ajudar ONGs (organizações não governamentais) a desenvolver melhor sua missão. Essa é a história da Nuveo, que vem revolucionando os processos empresariais, reduzindo os custos de vários segmentos de forma surpreendente. A empresa iniciante já fez uma das maiores construtoras do país economizar até R$ 750 mil por ano, com o uso de inteligência artificial. Software criados pela Nuveo interpretam textos, imagens e áudios para automatizar processos empresariais, reduzindo a burocracia.

Nuveo nasceu com solução para ONG

Mas nada acontece por acaso no universo empresarial baseado nas novas tecnologias. O surgimento da Nuveo, que já está sendo assediada por propostas de compra e expansão no Canadá e EUA, contou com o desejo, preparo e senso de oportunidade do administrador Flávio Pereira, 34, que soube transformar o problema de uma ONG em solução para empresas. Em 2015, quando era consultor social voluntário de diversas ONGs, percebeu o quanto de tempo e dinheiro eram investidos para compilar sem erros informações das mais de 70 mil notas fiscais paulistas doadas.

Otimização de processos a baixo custo

software criado pela Nuveo processa imagens por meio de inteligência artificial e extrai as informações necessárias de acordo com os indicadores de negócio do cliente. No caso da nota fiscal paulista, por exemplo, CNPJ do estabelecimento, data, valor e COO são disponibilizadas no browsing automation da empresa, que capta os dados e envia para o site da prefeitura, que preenche tudo automaticamente e, por fim, doa a nota. “O principal motivo de criarmos a Nuveo foi buscar projetos que otimizam os processos das empresas com um custo competitivo”, afirma Pereira.

Cyrela economizou R$ 1 milhão

De acordo com o CEO e fundador da Nuveo, a Cyrela, uma das maiores construtoras do país, foi uma das primeiras empresas a perceber o quanto a  tecnologia de automatização poderia facilitar os processos e reduzir os custos. “Com necessidade de prestar contas de milhares de terrenos por todo o país, a Cyrela implementou a tecnologia da Nuveo para o pagamento do IPTU, economizando quase R$ 1 milhão por ano. “Logo depois vieram outros clientes de peso, dentre os quais o escritório Tozzini Freire Advogados”, comemora o fundador.

Pagamento de contas em dia

Finalista do Prêmio InovaBra, idealizado pelo Bradesco e que contou com a inscrição de mais de 500 empresas, a Nuveo, mais uma vez, foi visionária: adaptou a tecnologia de interpretação de imagens e documentos para se posicionar à frente do mercado e agregou o Bradesco como seu novo cliente, de acordo com Flavio Pereira. O próximo passo da Nuveo é investir na automatização de pagamentos de contas de consumo, como água, luz e telefone e se expandir para o exterior, a partir de 2018. Neste ano, espera faturar R$ 7 milhões, contra R$ 120 mil em 2015.

Parceria na transparência

A área de “compliance” de uma empresa, que ganhou destaque após a Operação Lava Jato, deveria também analisar os fornecedores de sua organização. “As responsabilidades solidárias e subsidiárias estão em moda, e nada como evitar uma desagradável surpresa ao descobrir um parceiro envolvido em casos de escândalos, ou mesmo interferindo desastrosamente em sua operação”, diz Luiz Fernando Godoy, um dos fundadores da Equipo Gestão e consultor desde 1990. Na avaliação de Godoy, é essencial garantir que seu parceiro cumpra com suas obrigações legais (fiscais e previdenciárias), seguindo as leis vigentes. “Um parceiro com cadastro antigo e desatualizado e não monitorado pode estar comprometido financeiramente e acarretar baixa de qualidade de seus entregáveis até a interrupção repentina de fornecimento”, comenta. O fundador da Equipo Gestão também sugere solicitar uma declaração de compromisso e verificar se seu parceiro respeita leis sobre trabalho escravo e trabalho infantil; reprime qualquer atitude de discriminação por raça, classe social, nacionalidade, religião, deficiência, sexo, idade, orientação sexual, associação sindical ou política.

Colaboração premiada

A Faculdade de Direito do IDP São Paulo realiza hoje seminário sobre um tema polêmico e atual: colaboração premiada, que está no centro de vários acordos firmados no âmbito dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Esses acordos têm gerado questionamentos sobre a forma como são realizados, bem como a maneira de condução das investigações, em conjunto com outras técnicas especiais de investigação. “A discussão acadêmica e plural das colaborações premiadas é indispensável para que se defina os contornos do instituto, que deve ser eficiente, mas com limites bem estabelecidos”, argumenta Gustavo Neves Forte, um dos coordenadores do seminário e do curso de pós-graduação de Direito Penal Econômico e Corporativo do IDP-SP.

 

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